Romeu é um motorista de taxi que roda pelas ruas da cidade de Vitória, capital do Espírito Santo, trabalha há mais de 30 anos no ramo. Pelos caminhos da corrida que me levará ao meu destino, mostra as obras paradas e abandonadas, em sua opinião é tudo culpa dos políticos que roubam e desviam dinheiro público. Pensa que não há solução para isso e que o melhor seria acabar com o congresso, fechar tudo.
Assim como tantas pessoas, Romeu desconhece o grande emaranhado do estado brasileiro que nos coloca como reféns de nós mesmos. As opções de escolha geralmente estão em nossa frente, mas não as fazemos corretamente, será?
Recentemente a sociedade brasileira viveu um grande impasse sobre a questão da validade da Lei da Ficha Limpa para as eleições de 2010. O estado brasileiro é tão complexo que a tal Lei só foi votada depois do processo eleitoral. Ficando ainda na dependência do voto de um ministro do STF (Superior Tribunal Federal) que foi nomeado após as eleições, pela presidente Dilma, no caso o ministro Luiz Fux.
O impasse era sobre se a lei seria aplicada ou não no processo eleitoral de 2010.
O ministro quando indagado por um jornalista do jornal Folha de São Paulo, sobre a sua posição de desempate, disse que não desempatou nada, “apenas aderi a posição majoritária”. Boa resposta, mas meio confusa porque havia um empate, mas poderia ter aderido a outra posição, que se tornou minoritária. Embora essa tinha o apoio da maioria da população brasileira, que era a aprovação da tal lei.
As poucas reações da sociedade que houveram em relação a esse fato mostrou a apatia do povo em relação ao estado brasileiro. Um estado que apesar de seus avanços ainda se mostra muito lento na quebra da sua relação com o passado.
Fux, o ministro, justifica seu voto com base no respeito ao estado de direito democrático e também tecnicamente, mostrando que não se pode aplicar uma lei no mesmo exercício em que foi criada. Justificativas a parte, o fato é que uma lei sozinha não faz verão, muita leis sem serem cumpridas muito menos.
A herança que Fux deixa reforça o pensamento da necessidade de fazermos nossas escolhas, embora tenha dito que, ”embaixo da toga de um juiz também bate um coração”. Não há outro caminho, se quisermos construir uma sociedade mais moderna com um estado que não seja vulnerável devemos sim participar ativamente como cidadãos interessados nessas mudanças. Embora Romeu viva preso ao seu taxi e na sua luta pela sobrevivência, assim como a maioria de nós, sempre é bom lembrar que um país sem parlamento é um pais que vive em uma longa noite sem fim.
Yuri Guermann
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