sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Dilma e a Blogueira


Uma das fotos oficiais que registraram a visita da presidente Dilma a Cuba, mostra uma Dilma com um olhar distante. Ao lado de Raul Castro, a conversa parece ter um tom de explicações por parte do comandante em chefe da ilha. E ao que tudo indica as explicações seriam talvez em relação a uma blogueira e seu pedido de licença para ir ao país das maravilhas chamado Brasil.
                   Dilma, que viveu um grande momento da sua vida nos anos 60, sonhava em construir um país com liberdades e garantias e também livre da corrupção, de desvios de dinheiro de toda ordem. Um país que fizesse uma reforma agrária que atendesse a todos os trabalhadores do campo. E ainda, que defendesse também, a autodeterminação dos povos. Ela tinha, na época, como referência o país o qual estava visitando.
                    No entanto, uma blogueira parece querer estabelecer uma situação de pena e de querer negar todo um processo histórico que apesar de suas contradições, vem sobrevivendo a implacável luta contra um sistema que hoje vive uma de suas piores crises, gerando desemprego e privando os trabalhadores de suprimento de suas necessidades no mundo todo.
                   Dilma não negou o tal visto, pelo contrário o concedeu. Para Dilma, e milhões de brasileiros, a luta pelas liberdades já é passado. Mas o pior de tudo é ter que conviver com as armadilhas de um estado brasileiro cheio de vícios e armadilhas que sempre beneficiam a velha oligarquia brasileira. Pior ainda é ter que conviver com a abastada família Sarney e tantas outras para poder governar.
                 A revoltada blogueira cubana nem de longe sabe que um país como o Brasil não serve em nenhum momento como referência de liberdade e muito menos do que se pensa ser maravilhoso. Um país que caça diploma de jornalista e que busca controlar o mundo de informações e vive uma ciranda de corrupção, e ainda detém uma boa quantia de trabalhadores em regime de escravidão, está longe de ser um país sério.
                  Embora tudo à seu tempo, Dilma talvez estivesse sim, ali na foto, pensando: “essa blogueira não tem ideia do que realmente é um cerceamento de liberdade”. Dilma, assim como muitos brasileiros que viveram o horror de uma real ditadura jamais deixaram de defender a liberdade. Certamente ela, Dilma, estaria ali pensando: “nossa dor e sofrimento jamais foram publicados em sites de relacionamento, nossos gritos ficaram entre quatro paredes e nossa luta não era apenas por um visto”.

domingo, 17 de abril de 2011

A herança de Fux

              
               Romeu é um motorista de taxi que roda pelas ruas da cidade de Vitória, capital do Espírito Santo, trabalha há mais de 30 anos no ramo. Pelos caminhos da corrida que me levará ao meu destino, mostra as obras paradas e abandonadas, em sua opinião é tudo culpa dos políticos que roubam e desviam dinheiro público. Pensa que não há solução para isso e que o melhor seria acabar com o congresso, fechar tudo.

                 Assim como tantas pessoas, Romeu desconhece o grande emaranhado do           estado brasileiro que nos coloca como reféns de nós mesmos. As opções de escolha geralmente estão em nossa frente, mas não as fazemos corretamente, será?

               Recentemente a sociedade brasileira viveu um grande impasse sobre a questão da validade da Lei da Ficha Limpa para as eleições de 2010. O estado brasileiro é tão complexo que a tal Lei só foi votada  depois do processo eleitoral. Ficando ainda na dependência do voto de um ministro do STF (Superior Tribunal Federal) que foi nomeado após as eleições, pela presidente Dilma, no caso o ministro Luiz Fux.

           O impasse era sobre se a lei seria aplicada ou não no processo eleitoral de 2010.
           O ministro quando indagado por um jornalista do jornal Folha de São Paulo, sobre a sua posição de desempate, disse que não desempatou nada, “apenas aderi a posição majoritária”. Boa resposta, mas meio confusa porque havia um empate, mas poderia ter aderido a outra posição, que se tornou minoritária. Embora essa tinha o apoio da maioria da população brasileira, que era a aprovação da tal lei.

          As poucas reações da sociedade que houveram em relação a esse fato mostrou  a apatia do povo em relação ao estado brasileiro. Um estado que apesar de seus avanços ainda se mostra muito lento na quebra da sua relação com o passado.

           Fux, o ministro, justifica seu voto com base no respeito ao estado de direito democrático e também tecnicamente, mostrando que não se pode aplicar uma lei no mesmo exercício em que foi criada.  Justificativas a parte, o fato é que uma lei sozinha não faz verão, muita leis sem serem cumpridas muito menos.

            A herança que Fux deixa reforça o pensamento da necessidade de fazermos nossas escolhas, embora tenha dito que, ”embaixo da toga de um juiz também bate um coração”. Não há outro caminho, se quisermos construir uma sociedade mais moderna com um estado que não seja vulnerável devemos sim participar ativamente como cidadãos interessados nessas mudanças. Embora Romeu viva preso ao seu taxi e na sua luta pela sobrevivência, assim como a maioria de nós, sempre é bom lembrar que um país sem parlamento é um pais que vive em uma longa noite sem fim.

           Yuri Guermann
         



domingo, 1 de agosto de 2010

Eleições 2010, um desafio para a mudança.

Longe de uma sociedade justa, igualitária e de uma democracia plena, lá vamos nós para mais um processo eleitoral. Os dezesseis últimos anos que se passaram começamos a construir o estado de direito democrático em nosso país. Embora tímido, porque ainda existem muitos vícios da velha república, são muitos os labirintos e teias que envolvem o estado brasileiro. Esse velho mecanismo do passado que trava a construção de uma sociedade mais democrática e moderna tende cada vez mais a resistir os avanços que certamente irão acontecer.

Nos oito primeiros anos do processo de consolidação democrática o governo FHC para alguns foi taxado de ser privatizante, uma denominação que mais serve como palavra de ordem equivocada e sem sentido de analise do que uma critica como base para elaboração de uma política de embate mais séria. Na verdade o que vivemos no governo FHC foi o desmantelamento de um Estado cheio de empresas estatais com diretores que consumiam altos salários e viviam de grandes negociatas, tudo isso, fruto do regime autoritário. Se isso ajudou ou não o país a se desenvolver mais, veremos daqui alguns anos.

Por outro lado convivemos os últimos oito anos com um governo que queiram ou não os sectários de plantão, é a continuidade do governo anterior, em nada muda ou em quase nada. Porque os dois governos tem como base o pensamento socialdemocrata. As diferenças talvez estejam na condução de suas políticas. Um jamais falou que não privatizaria,outro falava que iria fazer um grande reforma agrária,um falou que era necessário ter juros altos, outro falava que iria acabar com os juros altos e que era necessário uma profunda reforma fiscal,os dois falaram que era necessário fazer a reforma política.

No entanto o governo que mais assentou trabalhadores sem terra foi o que não prometeu a grande reforma agrária, já o que prometeu baixar os juros e fazer a reforma fiscal acabou proporcionando o maior lucro aos banqueiros como nunca na história desse país e a reforma política tão necessária para avanço democrático nenhum deles fez. Pelo contrário, usaram da velha política e de seus defensores. Um se aliou ao senhor Antonio Carlos Magalhães o outro ao senhor José Sarney, dois grandes nomes ligados a corrupção, ao conservadorismo e mantenedores dos labirintos e teias do estado brasileiro.

A eleição de 2010 desafia a todos nós eleitores, porque ela nos mostra que só através dela é que vamos mudar mais um pouco esse país, a mudança real esta na eleição de novos parlamentares que tenham compromisso com a construção de um estado livre da corrupção e que estejam voltados para passar esse país a limpo.

Yuri Guermann.